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| Entrevista: Silvio Colin
O que o levou a escrever o livro Pós-modernismo. Repensando a Arquitetura?
Na minha atividade como professor constatei que, no momento presente, apesar de o tema ser objeto de intenso interesse de estudantes de literatura, filosofia, artes plásticas, etc., nas faculdades de arquitetura o Pós-modernismo tem sido relegado a segundo plano, quando não evitado mesmo. Ora, a maioria dos ensaios sobre o assunto apontam sua origem na arquitetura. Por que então não lhe dar a devida atenção? Por que, na sua opinião, isto aconteceu ou está acontecendo? As razões são muitas e complexas. Nas faculdades, aqui no Rio de Janeiro (não sei até onde se pode estender o comentário para outras cidades), o Pós-modernismo foi muito discutido nos anos 1980 e início dos anos 1990, devido à pressão da mídia especializada internacional. E causou um certo desconforto entre alguns professores, ou por não estarem preparados para esta discussão ou por simples preconceito. A verdade é que a maioria desses professores teve uma formação racionalista-funcionalista, e outros métodos de crítica – a Semiótica, a Fenomenologia – indispensáveis para o entendimento do Pós-modernismo não lhe eram familiares. Quando diminuiu a ênfase no assunto, nesta mesma mídia, que encontrou outros rumos, sobretudo no viés tecnológico e produtivista, a discussão arrefeceu. Que relação existe entre o seu primeiro livro Uma introdução à arquitetura e este Pós-modernismo. Repensando a Arquitetura? Ambos são livros de crítica arquitetônica. O primeiro é um livro instrumental dedicado sobretudo a estudantes iniciantes, embora descreva um método de abordagem que pode ser utilizado por estudantes mais maduros. Nele eu menciono os métodos de crítica aplicáveis tanto ao Modernismo quanto ao Pós-modernismo. O segundo é uma monografia versando sobre um tema específico. Mas o público-alvo é o mesmo, e o espírito com que foi concebido – de abertura, esclarecimento e informação –, é também semelhante. Antes de publicar Pós-modernismo. Repensando a Arquitetura você deu o livro a seus alunos para ler. Como eles reagiram? A reação de meus alunos foi estimulante. Ouvi frases como "Mudou minha cabeça", "É um livro para ser lido e relido", "Tem muita informação importante". Estas opiniões, daqueles para quem eu estou endereçando este trabalho, deram-me a confirmação de que se tratava de um ensaio oportuno e aumentaram a minha convicção de que o assunto tem sido relegado a um segundo plano. A arquitetura pós-moderna tem vez no Brasil? Certamente. O Pós-modernismo é um conceito muito amplo. Os seus detratores tentam reduzi-lo apenas ao Historicismo Abstrato, e mesmo assim, nas suas manifestações mais inconseqüentes e superficiais, para mais facilmente desacreditá-lo. Nós entretanto sabemos que nenhuma proposta esta a salvo do mau uso, do uso consumista que se possa fazer dela. Mas este mau uso não pode invalidar uma boa proposta. O Pós-modernismo tem muitas faces: o Historicismo, o Revivalismo, o Regionalismo Crítico, entre outras. Mesmo nos concentrando apenas no Historicismo, este não pode ser reduzido ao formalismo mural que marcou as primeiras manifestações pós-modernas. A revisão crítica de métodos construtivos do passado, de tipos arquitetônicos inexplicavelmente abandonados, incluem-se também na proposta historicista. O anamorfismo desconstrutivista, a retomada, em bases atuais das ousadas propostas do Construtivismo Soviético, também objetivam a superação do projeto modernista para a arquitetura, incluindo-se pois no Pós-modernismo. Temos ainda a preocupação, bem atual, com a arquitetura da auto-sustentabilidade, um tema impossível de abordar se estivermos seguindo somente os fundamentos do modernismo arquitetônico. Acredito que as idéias pós-modernas têm um importante papel a desempenhar na formação dos novos arquitetos.
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