Martin Heidegger é pensador muito estudado no meio acadêmico brasileiro, principalmente sua obra Ser e Tempo. Temos agora valiosa contribuição de Olinto Pegoraro que lança a sua tese adaptada como ensaio Imaginação e Tempo em Heidegger. O livro esclarece o processo de elaboração do livro Ser e Tempo do filósofo alemão ao discutir a questão da imaginação a partir de Kant.
Para elaborar Imaginação e Tempo contei com a colaboração pessoal de Martin de Heidegger, que gentilmente me confiou o texto inédito de uma conferência por ele pronunciada em 1930 sob o título “O tempo em Santo Agostinho”.
Contei também com outro texto inédito de uma conferência de Heidegger sobre o “Conceito de tempo” pronunciada em 1924 que é o embrião de “Ser e Tempo” (1927). Minha intenção nesta obra é a exposição é crítica das teses centrais de “Ser e Tempo” à luz da imaginação.
Da imaginação Heidegger trata na obra profunda intitulada “Kant e o problema da metafísica” na qual compara a primeira e a segunda edição da “Crítica ad razão pura”. Na primeira, Kant colocou a imaginação como a faculdade primeira do filosofar, mas na segunda edição enaltece o entendimento (a razão) em detrimento da imaginação. Heidegger lamenta esta virada; segundo ele, Kant perdeu a ocasião de libertar a filosofia no tempo lógico que dominou a filosofia desde Aristóteles até Hegel.
Minha obra faz a mesma crítica a Heidegger que, em Ser e Tempo, nunca tratou (nem nomeou) a imaginação.
É verdade, porém, que passa do raciocínio linear, lógico, ao círculo hermenêutico, interpretativo do sentido da existência, da verdade como desvelamento e, enfim, da filosofia como elucidação, re-velação do que é obscuro: fazer filosofia é a permanente busca de sentido. Parece que este modo de pensar fenomenológico seria muito mais justificado se tivesse como suporte a imaginação da qual Heidegger não trata.