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Jornal Poesia Viva - Número 24
Entrevista com Waly Salomão (2) Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 > E a música, quando começou a fazer parte do seu trabalho? Sempre gostei muito de música; quando viajava para Coroa Azul, além de ler, ouvia sempre a Rádio Nacional. Por isso conheço muita música: sei tudo de Lupiscínio, de Herivelto Martins, Noel Rosa. Na etapa de produzir foi bastante de supetão. Até hoje não entendo como Vapor Barato virou um grande sucesso e teve uma espécie de perenidade. Foi gravada por Gal Costa em 1971, regravada pelo Rappa para a juventude no final da década de 90, e no ano passado saíram novas regravações de Zeca Baleiro e de um bocado de gente. Entrou no filme Terra Estrangeira. Ninguém vai acreditar se eu disser que foi por falta de dinheiro que não impedi Gal Costa de gravar a música pela primeira vez, em um compacto duplo juntamente com Sua Estupidez de Roberto Carlos. Não podia me dar ao luxo de recusar, mas achava a letra sub-literata. Não gosto do mundo musical atual. O que move mais o meu lado de maldizer é tocar no panorama da música brasileira atual. Gosto das regravações de minhas músicas; tenho orgulho de tudo o que fiz, seja a parceria com Jards Macalé, sejam as letras de encomenda que Bethânia me pediu. Entre elas a emblemática “A voz de uma pessoa vitoriosa” e viu outras que viraram títulos de disco da Bethânia: “Anjo exterminado”; “Mel”; “Memórias da pele”, “Olho d’água”, “Alteza”, “Talismã”. Foram poemas que fiz a seu pedido. Ela tem essa capacidade de me mobilizar para fazer coisas. Hoje prefiro poesia de livro e esse passo tem me custado até um empobrecimento. Mas é o que desejo na vida e sinto uma grande alegria, um grande entusiasmo. Porém, na realidade, vejo um grande fechamento no sentido das possibilidades. Tento afastar a praga de urubu atuando: palestras, leitura de poemas – quando são pagas é ótimo. Sou chamado para palestras em faculdades e Centros Culturais de diversos lugares do Brasil. “Eu pulo que nem sapo para ver se escapo da praga de urubu”. Parte 3 >> | ![]() Entrevista com Waly Salomão (Jornal Poesia Viva 24)
Hoje prefiro poesia de livro e esse passo tem me custado até um empobrecimento. Mas é o que desejo na vida e sinto uma grande alegria, um grande entusiasmo. | ||||||||||||