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| Jornal Poesia Viva - Número 26 Eros x Tanatos Numa civilização em que a razão se embate com a desrazão, em que diante dos nossos olhos se instala o absurdo de uma guerra, a poesia nos fala de paixão? Que paixão, o outro nome da desrazão? A desmedida que assola e destrói os homens e a natureza? A poesia não fala da cega paixão, mas fala de Eros, deus da união, da graça. Fala da paixão que ilumina a razão e pela razão é iluminada dando a verdadeira medida dos atos humanos. Sem paixão a vida seria insossa, monótona, uma via para o túmulo. Com a paixão a vida é um impulso para a criação, jogo de alegria e paz. Ela explica o poder das religiões, a beleza das artes, o transbordamento do amor, se esconde e se apaga no campo de guerra. E se retrai e aponta as tragédias que irão dizimar tantos corpos por ordem de Tanatos, deus da morte. Os poetas, sedentos de vida, anunciam novos tempos em que a linguagem não mais será retórica para as farsas, mas expressões de sinais que falam de uma possível habitação solidária dos homens no planeta Terra. Talvez, utopia. |
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