|
Jornal Poesia Viva - Número 26
Sem as mãos
O que você pedir eu dou. A dor que me faz fingir eu dou. Dou do arco a íris, e tudo de bom. Se é por você, até calor, que é o aquilo do sol, como flor seca, eu dou.
O que você pedir eu me dou. O amor que faz rir dou pra mim. Dou do arco a flecha e aquele cupido, e tudo que é com. Se é por você, até terror, que é o aquilo do susto, como grito e pânico, me dou.
O que você pedir eu sou. O abajur que vela nós dois a sós, eu sou. Sou a íris e a menina dos olhos; a pálpebra e a pupila intensa dilatadas. se é por você, eu aí não sou.
O que você fingir eu sou. Da salina que o vento traz sou o sal que amarga os sais. E vou no mesmo movimento em que o moinho lento é mais.
Antônio Carlos da Silva |