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| Jornal Poesia Viva - Número 27
A Memória do Futuro A poesia revela, no vigor do presente expresso na palavra, algo do passado que insiste em tomar forma. O que é o tempo senão o que existe em nossa alma? O tempo sendo um só, as instâncias do presente, passado e futuro se fundem na linguagem. Assim, na memória do futuro, estão sempre entre nós as pessoas que já se foram, à medida que se presentificam em nossos projetos, idéias, caminhos. A morte não é um fim, nem uma fronteira. Em nós, elas costumam viver a nos estimular, e mesmo a nos determinar. Quem pode fazer poesia sem se voltar para o passado? Quem pode fazer poesia sem se lançar ao futuro? O poema é o presente. Waly Salomão está entre nós. No banco da pracinha do Leblon onde juntos tiramos fotos e ele nos fazia rir dizendo que queria alcançar a lua. Inesquecível também a sua gargalhada, cada vez mais alta e os gestos largos a nos falar, entre goles de vinho, de suas viagens, dos seus livros e projetos. Presente ele está na música com Gilberto Gil, Macalé, Caetano e ainda Gal e Betânia que cantavam seus poemas. Ele afirmava: eu sou poeta, quero ser reconhecido como poeta. Não sou letrista, por isso parceria só com quem é capaz de fazer música de meus poemas. Sou primordialmente poeta e bem compreendeu Adriana Calcanhoto, ao musicar a Fábrica do Poema. Com generosidade, por ocasião da entrevista, ele nos deixou vários poemas inéditos. Comissão Editorial | |||||||||||||