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Jornal Poesia Viva - Número 27
Espanto
Visito o sonho à mesma hora escura. Salão vazio, apenas o piano E o professor, tão só - à sombra do invasor - Dedos esfolam martelos, no cepo de metal. O último instrumento resiste e anuncia A música folclórica mais triste!
Abandono o corpo no alcance da barbárie. Os pares cantam loas aos andróides laureados Em artes de humilhar as diferenças. Museus, aulas de música, milênios Que teimam atropelar o arsenal fantástico. ..E ainda o choro dos que não se dobram.
O grito lancinante infiltra os olhos, A dor cansada, na retina, avança. Desperta o espanto e o interrompido acorde.
E aloja-se à memória.
Léa Madureira |