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Poesia Viva Online

Ano 12 - Número 33


Entrevista: Reynaldo Valinho Alvarez

Quem é Reynaldo Valinho?
Reynado Valinho Reynaldo Alvarez (RJ, 1931) publicou 36 livros de poesia, ficção, ensaio e literatura infanto-juvenil. Participou de numerosas antologias. Está traduzido para o sueco, o italiano, o francês, o espanhol, o galego, o persa, o corso e o macedônio. Ganhou muitos prêmios literários, no Brasil e no exterior, entre eles o Jabuti de poesia, da Câmara Brasileira do Livro, em 1998, o Golfinho de Ouro, do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, pelo conjunto da obra, em 2002, e o Camaiore Internacional de Poesia, na Itália, em 1999. Colaborou na imprensa e manteve colunas literárias no Jornal de Letras e na Última Hora. Fez parte do júri de concursos literários de âmbito nacional e representou a poesia brasileira em festivais na Suécia, na Macedônia, no Canadá e na Espanha.
 
1. Para fazer poesia é preciso dominar as regras da poética?
Pode-se fazer poesia espontânea e ingênua, como se faz pintura naïf ou música popular, em oposição à pintura de técnica elaborada ou à música erudita. A língua também tem o registro coloquial e a norma culta. Para fazer poesia no padrão culto, é necessário ler os grandes poetas e estudar não só as regras da poética mas também as normas do idioma em que se escreve e ainda muito mais, ao longo da vida. Tudo depende do tipo de poesia que se deseja escrever e do nível de exgência requerido.
2. No seu processo de poetar, a criatividade irrompe como dom que você acolhe, ou é primordialmente labor, já que você revela “paixão pela artesania”?
“A criatividade que irrompe como dom” é apenas a centelha que deflagra o incêndio. Se a matéria atingida pela centelha não for altamente combustível, o fogo logo se apaga. Os dois elementos devem caminhar juntos, num casamento perfeito: o dom e a capacidade técnica de quem o recebe.
3. A poesia de hoje seguindo o experimentalismo, desvincula-se da poética?
Para ser bom experimentador, é preciso ter um ponto de partida, que é a tradição e um amplo conhecimento do que já se escreveu e do que se está escrevendo no âmbito da poesia. Toda inovação e toda renovação partem de algo que já existe. “No princípio era o Verbo.” Não o caos ou o nada. Pode-se melhorar, mas não reinventar a roda.
4. Como você reconhece a poeticidade do texto dito poético?
A poeticidade do texto dito poético é reconhecida mediante a entrega profunda do leitor e a sua interação mental e emocional com o texto lido. Acredito que o alarido das apresentações espetaculares não seja propiciatório desse encontro. Ao contrário, penso que o silêncio, a solidão e a freqüentação dos grandes autores ajudam nessa prospecção.
5. A faca pelo fio é definitivamente um livro representativo do seu fazer poético, ou
apenas indica algumas manifestações do seu trabalho que sempre se renova?
Cada livro é uma nova viagem ao mundo das palavras, embora o autor seja o
mesmo, com seus temas, suas angústias, suas obsessões. Cada um é
representativo, talvez, não de todas, mas de algumas características do estilo do
autor.
6 Se você escreve tantos gêneros literários, ensaio crítico, ficção, literatura infantil, como se dá a “hora da poesia”?
A “hora da poesia” é a predominante nesse concerto de natureza textual. É uma questão de preferência quase inata pelo gênero. A poesia é a forma de expressão pessoal mais freqüente e vigorosa em minha biografia.
7. .A voz do poeta que grita violências urbanas, injustiças, contradições chega a ter repercussão no mundo social?
Não tem nenhuma repercussão. Mas o poeta continuará clamando “de profundis”, até que a “indesejada das gentes” arrebate sua voz. Não se grita contra o mal, a crueldade, a dor e o sofrimento porque se tem a certeza de vencê-los. O brado nasce da impossibilidade de aceitá-los, mesmo quando eles são os aparentes triunfadores no mundo real em que se vive. Não cabe ao poeta apoiá-los e, por isso, seguirá protestando, mesmo que na forma de um gemido.



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Entrevista: Reynaldo Valinho Alvarez

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