Revista SEAF nº 05 - Ética (2006)
Falar de ética é falar do ser humano, do seu comportamento face a si mesmo, ao outro, à natureza e a Deus.
Se esta preocupação sempre norteou o homem, no que diz respeito ao seu modo de estar no mundo, todavia somente foi
estudada pelos filósofos gregos, tendo Sócrates em destaque. Ele inaugurou a ciência moral com os temas do bem, da virtude e da cidadania, vistos à luz da razão.
Participantes:
Olinto Pegoraro - O dinamismo da ética
Elena Garcia - Antígona de Sófocles e A ambigüidade da questão moral e ética
Luciana da Costa Dias - A questão moral em Descartes
Renato Bittencourt - A ética de Espinoza como superação da moral provisória de Descartes
Dirce Eleonora Nigro Solis - Jacques Derrida e a ética da hospitalidade
Rogério Rocha Seixas - A resistência ética em Lévinas: a guerra, o assassinato do outro
Hilton Japiassu - Ética e ciência
Leda Miranda Huhne - Ética, estética e ecosofia
André Luis Pinto da Rocha - A perspectiva crítica de Lévinas à ontologia fenomenológica de Husserl e Heidegger
Alino Lorenzon - Um perfil de Paul Ricoeur
Revista SEAF nº 04 - Estética (2004)
A palavra estética está desgastada por se encontrar associada a modismos de consumo, a instituições de saúde e ginástica,
ao que se refere à beleza física, à aparência. No campo acadêmico, é vista como uma área desvinculada da "verdadeira" filosofia.
No passado grego, destacando-se Aristóteles, a preocupação com a arte e a beleza era objeto da filosofia prática assim como a moral. Desde então,
a medida da arte e da beleza passam a ser a harmonia e a perfeição, elaborada através da mímesis.
Na época medieval, pouco se falou de filosofia da arte. Somente na modernidade, era das grandes transformações sociais, econômicas,
culturais, o pensador Alexandre Baumgartem deu à filosofia da arte o peso de "ciência" da percepção e empregou o termo estética (aistetikos)
significando o estudo "do que é perceptível".
Ele analisa o belo como perfeição do conhecimento sensível, considerado até então inferior ao racional.
Mas a estética como estudo crítico surge com Kant, que na sua obra Crítica do juízo, indica a autonomia do domínio do belo.
Para ele, o belo é condição de objeto de experiência estética; o que agrada sem conceito e de modo desinteressado.
A partir de Kant a questão do belo tornou-se uma questão estética que vai ter diferentes leituras interpretativas.
A quarta edição da Revista de Filosofia SEAF traz, à discussão desse problema, diversos enfoques apresentados por professores de estética.
Participantes:
Ricardo Barbosa analisa a posição de Schiller face à escrita filosófica, demonstrando a possibilidade de existir uma intíma relação entre verdade e beleza,
por Schiller tão bem apresentado nas suas cartas sobre educação estética.
Marcia Gonçalves introduz a filosofia da arte de Hegel a partir da poesia como forma de interpretação da natureza, mas inspirando-se no sentido de beleza de Schelling.
Rosa Dias mostra que Nietzsche substitui a "metafísica da arte", de certo modo elaborada no Nascimento da tragédia, pela "fisiologia da arte", baseando-se na estética de Stendhal,
principalmente na citação: "o belo é apenas promessa de felicidade".
Leandro Konder confessa que Karl Marx não conseguiu elaborar, de modo satisfatório, o seu pensamento sobre arte e beleza, mas nos Manuscritos econômicos-filosóficos de 1844 deixa
importantes análises da sua visão da arte como práxis.
Leda Miranda Hühne discute a constituição da estética como saber, mostrando que à luz da fenomenologia heideggeriana é possível analisar a obra de arte e sua dimensão bela,
através de novas leituras dos conceitos tempo, linguagem e verdade.
Dirce Eleonora Solis investiga o contrato entre arquitetura e habitação, mediante o processo de desconstrução, segundo a abordagem de Derrida, e ao deslocar a supremacia do
belo sobre o feio, deixa em suspenso, o que é a bela habitação e a boa hospedagem?
Gerd Bornheim é lembrado com um texto antológico, A escultura de Vasco Prado onde ele coloca o escultor dentro da História da Arte Ocidental, mostrando que o artista soube
criar seu estilo muito peculiar, sem fugir da própria medida do seu mundo.
Vera Terra analisa a arte no mundo atual, aproximando filosofia e cinema, no texto Dogville e o simulacro na arte contemporânea, recorre ao tema da reversão platônica.
Ferreira Gullar, nosso entrevistado, fala das controvérsias sobre a "morte da arte", especialmente em relação às artes plásticas.